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Uma leitura à venda da Eliane

Primeiros fatos apurados pelo âncora da rádio Eldorado, João Paulo Messer, a respeito da venda da maior indústria cerâmica do sul do estado

comment Jornalismo access_time20/10/2018 - 07:56

Reportagem: Jornalismo/Eldorado

O prefeito Ademir Magagnin, de Cocal do Sul, só recebeu a informação da venda da Eliane Revestimentos Cerâmicos era quase 18h desta sexta-feira, tão logo a empresa distribuiu nota oficial através do seu site oficial. Até então ele tinha ouvido rumores sobre a venda e há cerca de um mês ouviu de um dos diretores a informação de que a empresa estava atravessando bom momento e que por conta disso buscava financiamento para implantar um projeto avaliado em cerca de R$ 100 milhões. A coluna apurou ainda que a esposa de um dos diretores, há menos de uma semana, comentou em família que a venda estava sendo concretizada e que havia três meses de negociações. Oficialmente a empresa divulgou nota. Na sexta-feira pela manhã os rumores do negócio corriam em São Paulo entre jornalistas. Basicamente estas são as versões populares da maior venda já feita na história do Sul do Estado de Santa Catarina, embora os valores não são revelados. Especulações giram no espaçoso limite dos R$ 500 milhões e R$ 1 bilhão.
Há quase nenhuma manifestação além da nota oficial sobre a venda da Eliane Revestimentos Cerâmicos ao grupo Mohawk. Como de praxe diretores do grupo local não falam. O prefeito Ademir Magagin, de Cocal do Sul adotou a estratégia da cautela e chamou uma reunião para a primeira hora de segunda-feira quando vai mergulhar a sua equipe nos números do município relacionados à empresa.
Estima-se que a Eliane Revestimentos Cerâmicos signifique à arrecadação de Cocal do Sul algo em torno de 70 por cento do faturamento com o setor industrial do município, que aliás gira em torno de 80 por cento no total d economia. Isso traduzido à interpretação superficial e simplista significa que o município depende da Eliane.
A venda da Eliane é a quarta do setor nos últimos anos. Cada uma com suas peculiaridades. Pelo que apurei a percepção entre os distribuidores é que os parques como a Cerâmica De Lucca saíu de um processo de falência à estável e bem posicionada Elizabeth. Depois a Cecrisa que ao passar às mãos de um grupo de investimento retirou investimentos no parque local. Já a Ceusa foi para as mãos de um grupo econômico que vem mergulhando fundo no segmento de acabamento. A Eliane pode ser a melhor de todas, pois é vendida para um grupo com know how e mercado internacional no setor.
Há cerca de dois anos e meio a Eliane buscou um financiamento de R$ 200 milhões no Itaú e por isso havia especulações de que este banco, que é dono das marcas como Deca e Duratex, poderia adquirir a empresa sulcatarinense. A entrada da americana Mohawk gera otimismo pela expectativa de investimentos a serem feitos dado ao peso da disponibilidade de recursos humanos e matéria prima locais.
Se há expectativa sobre a entrada de um novo dinheiro no investimento é necessário avaliar que toda mudança gera transtornos, pois provoca a ruptura com relações de décadas. A cadeia produtiva muda, especialmente no sentido dos prestadores de serviço e isso tem forte impacto. A Eliane tem fornecedores avaliados e mantidos por seu histórico, o que será substituído pela qualificação técnica comprovada.
Em Urussanga onde aconteceu o último grande negócio do setor cerâmico há otimismo em relação ao que veio depois. Existe, entretanto, o entendimento de que a área da chamada fábrica antiga, localizada na entrada da cidade, em breve será desativada e tudo transferido para a chamada área da fábrica nova.
O que é evidente é que em Cocal do Sul sempre existiu um consenso e opinião de que no dia em que a Eliane fosse vendida a cidade mergulharia em séria crise. Este passa a ser o desafio do governo municipal, evitar que esta percepção contamine outros investimentos.

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