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Opinião: Brasil, país do futebol

Texto de Willi Backes

comment Jornalismo access_time10/05/2020 - 07:44

A prática, a bola e as regras do futebol importadas da Inglaterra no início do Século XX, inicialmente pelejas entre empresas estrangeiras e grupos reservados, logo se disseminou entre todas faixas etárias e sociais no Brasil. É fácil compreender as razões para tal rápido alastramento.
Naqueles tempos o Brasil era uma nação em formação nas áreas econômicas e sociais, tinha áreas urbanas extensas disponíveis para formatar retângulo para o jogo na grama, pasto, chão batido, areia ou cimento. O futebol é absolutamente inclusivo, independe da condição social, estatura, origem étnica e, habilidade nata.

GLÓRIAS E FRASES EMOTIVAS.
Bastou pouco tempo para o Brasil se escalar e promover em 1.950 a Copa do Mundo de Futebol e claro, mostrar para todos a inauguração do maior estádio do planeta, mesmo que ainda em finalização. Fomos vice.
A seleção brasileira masculina de futebol já conquistou 5 títulos de Copa do Mundo FIFA (1958, 1962, 1970, 1994, 2002), 4 títulos de Copa das Confederações (1997, 2005, 2009, 2013), e 8 títulos de Copa América (1919, 1922, 1949, 1989, 1997, 1999, 2004, 2007).
A seleção brasileira de futebol masculino é a única que participou de todas edições da Copa do Mundo. Clubes de futebol do Brasil somam dezenas de títulos sul-americanos e mundiais.
Frases e slogans se reproduzem, como “Brasil, Pais do Futebol”, “Síndrome de Vira-lata”, “Somos os Melhores do Mundo”, “Com nós, Ninguém Pode”.

DO INCIPIENTE AOS NEGÓCIOS.
Quando criado o futebol era mais um desporto para o lazer, exercício e congraçamento. Rapidamente virou semiamador, profissional e nas últimas décadas, um grande negócio. Antes, amador no sentido da palavra, virou lenda. Assim, como literalmente virou uma batalha econômica, o Brasil foi ultrapassado por nações e organizações muito mais abastadas, e por vezes, com desejos inconfessáveis. Fácil listar os países europeus e do leste, asiáticos e da américa do norte, onde vingam os tais investidores.
No mercado brasileiro tiveram mais agravantes. O que era evento com participação popular aos milhões nos locais dos jogos, o futebol virou grade na programação das emissoras de TV, e elas passaram a subsidiar os clubes e praticantes. Os sofás viraram arquibancada para os torcedores e simpatizantes. E mais, as ofertas concorrentes para o lazer abundam, mais participativas e baratas, o que não incentiva a formação de novas gerações de simpatizantes do futebol.

A PANDEMIA NO FUTEBOL.
Talvez será o futebol uma das últimas atividades econômicas a voltar para plena organização e promoção, após o mínimo de controle sobre a pandemia do vírus COVID 19. E quando voltar, estará virado do avesso.
O mais assustador dentre tudo que está ocorrendo, é perceber que o retorno do futebol é a menor das preocupações entre os populares, simpatizantes e fanáticos torcedores.
Pequenos e médios clubes promotores do futebol programam fechamento definitivo ou temporário de suas atividades, elencando justificativas defensáveis. Presidentes e gestores dos clubes com agenda futura mais-ou-menos garantida, as consideradas médias e grandes agremiações, perambulam individualmente na busca de mágica solução.
É público e notório que os clubes que promovem o futebol não possuem estoque financeiro. Como pagar a manutenção dos equipamentos e pessoal profissional da retaguarda? Como fazer para manter a produção e treinamento das equipes de base? Como pagar os disparates constantes na folha de pagamento dos jogadores profissionais? Como entregar o produto/futebol compromissado em contratos de patrocínios e transmissões? Como remotivar o torcedor consumidor do futebol?
Nada está assegurado e segurado. Aliás, “seguro da atividade” será o produto mais oferecido e procurado pós epidemia, não só no futebol.

Reportagem: Willi Backes

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