Editorial: Decisões de última hora ampliam a insegurança jurídica.
Um episódio vergonhoso, patrocinado pelo Supremo Tribunal Federal, escancara a nossa trágica e profunda insegurança jurídica perante o próprio país.
Ao atropelar a lei, o ministro Gilmar Mendes determinou mudanças na última hora do derradeiro debate desta eleição, provocando o seu cancelamento. Não aconteceu o debate da Globo.
Já não é mais possível convivermos com essa instabilidade e com incertezas constantes. Como diz a música, isso aqui está virando a casa da mãe Joana, onde as regras do jogo são alteradas e rasgadas por quem deveria guardá-las.
Fica evidente para a nação que o Supremo já não respeita mais limites. Não há por que respeitar o Supremo.
Os togados, infelizmente, consideram-se deuses acima da lei, muito além do bom senso e de tudo aquilo que é minimamente razoável e admissível pelo povo brasileiro.
Mas o que mais lamento é observar que as grandes forças vivas do Brasil, que deveriam atuar como escudos da sociedade, estão hoje caladas e prostradas.
Instituições de peso, como o Conselho de Justiça, e digo que a própria OAB precisa gritar mais alto, e as confederações dos mais diversos setores estão, vergonhosamente, de braços cruzados diante de um grupo intocável.
O Brasil está se submetendo a quem zomba do brasileiro.
E zomba do brasileiro embolsando milhões de reais na cara dura, à luz do dia e de forma reiterada, sem qualquer tipo de pudor, com contratos, com tudo no papel.
O 8 de janeiro, por mais absurdo, irresponsável e patético que tenha sido, figura na nossa história recente como a única e triste reação brasileira.
Não é possível que a gente aceite, para sempre, sermos um inerte país de bananas.
Não é admissível que sejamos um país que tenha, em suas próprias bases, lideranças institucionais tão covardemente submissas, amedrontadas e passivas quanto as que hoje vemos sentadas e confortáveis no Senado Federal e nas mais altas representações.
Eles que deveriam, por juramento, lutar pela população.
A nossa indignação profunda é o último reduto de um povo completamente exausto, que assiste à democracia ser desfigurada e clama pela devolução do próprio país.















