EDITORIAL: A cinco dias da eleição, o sigilo vira instrumento de pressão política.
A eleição de 2026 caminha para a história pelo empobrecimento das propostas e pelo excesso de ataques entre os candidatos. Promessas difíceis de cumprir e um verdadeiro jogo de vale-tudo.
O episódio mais recente envolve uma proposta da campanha do presidente Lula para a divulgação de dados bancários, fiscais e telefônicos dele e de seus familiares, desde que Flávio Bolsonaro faça o mesmo.
A iniciativa, apresentada às vésperas da votação, levanta uma questão importante: por que somente agora?
O brasileiro tem o direito de conhecer a origem dos recursos financeiros daqueles que governam ou pretendem governar o país. Transparência não pode ser apenas discurso de campanha.
Lula também condiciona sua participação no debate da Globo à abertura dos sigilos do adversário. Seria uma tentativa de evitar novo desgaste político ou uma forma de pressionar Flávio Bolsonaro a esclarecer suas movimentações financeiras?
São interpretações possíveis de mais um capítulo dessa disputa eleitoral.
O problema é que, faltando cinco dias para a eleição, dificilmente haverá tempo para uma análise séria dessas informações.
A transparência precisa ser permanente, não uma conveniência eleitoral. Afinal, o que está em discussão não é apenas a origem do dinheiro, mas a responsabilidade de quem ocupa ou pretende ocupar o poder.
Porque transparência de última hora pode render votos, mas não necessariamente esclarecimentos.















