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Coluna de Terça-feira

access_time27/02/2018 - 00:34

O côncavo e convexo da política
A semana passada foi de Eduardo Moreira. Figurou da capa à contracapa dos jornais, abriu e fechou programas de rádio e foi alvo de todo interesse. A nova semana começou com holofotes invertidos. Como quem olha para uma colher de metal, que reflete aquele que lhe espia, é a política. Depende do lado em que se está. De um ângulo a imagem é real e menor (côncavo) e de outro (convexo) é virtual e maior. Pois a lei da ótica vale à lei da interpretação dos fatos da política. Abrir este texto da coluna com uma pitada de retórica é simbólico. Esperidião Amin costuma iniciar suas entrevistas assim: retórico e/ou análogo. Pois é o que melhor cabe para começar a semana falando de política. O cenário hoje está dependendo de onde você o observa. Moreira começou com tudo a semana passada. Lerás que quem começa com tudo esta semana é Esperidião Amin.

Pois então...
É isso mesmo que deve ter lhe surgido ao ler o texto de abertura desta coluna: a gente gira, gira, vira e mexe e volta ao princípio. O confronto segue sendo MDB X Arena. Giramos, giramos e paramos em Eduardo Moreira e Esperidião Amin.

O novo
Na antese deste jogo do igual é que o deputado estadual Gelson Merísio (PSD) está apostando. Desde que inaugurou a sua proposta de candidatura a governador, bateu nesta tecla. Aparentemente a sua proposta não “pegou”. Merísio ainda não desistiu. Ele invoca o direito de se oferecer como uma opção diferente. Para ganhar essa briga, entretanto, primeiro ele precisa ganhar a disputa interna na coligação.

O experimentado
Aliado preferido e até anunciado pelos polos opostos da política catarinense como da sua conta, o PSDB espera que o assédio de Moreira e Amin (Merísio) o torne tão forte a ponto de reivindicar a condição de cabeça de chapa. Neste caso o senador Paulo Bauer, se apresenta com a credencial de quem fez 30 por cento dos votos e quase foi ao segundo turno contra a máquina de PMDB e PSD.

Probabilidade
Para o leitor menos envolvido pela paixão política é possível afirmar que a pré-eleição começa assim, com quatro candidatos a governador: PMDB, PP, PSD e PSDB, além óbvio das chamadas candidaturas menores. Destes quatro, vence quem somar três siglas. Se ficar 2 a 2 tende vencer quem levar o PSDB.

Evento do PP
O PP realizou ontem a eleição do novo presidente (deputado Silvio Drevek), num ato que ficou marcado muito mais pelo “lançamento de pré-candidatura” a governador por Esperidião Amin. Como era de se esperar, compareceu o deputado estadual Gelson Merísio, presidente estadual do PSD.

Materno Infantil
Por uma questão de honra o atual governo do Estado tem por objetivo abrir de uma vez por todas o Hospital Materno Infantil Santa Catarina. O Secretário de Estado da Saúde é Acélio Casagrande, que foi quem deu os melhores impulsos a este projeto, começando pela compra da área e o início do que é hoje um quase hospital materno infantil. De outro lado o prefeito Clésio Salvaro conta com isso.

Gestão compartilhada
As primeiras reuniões, ocorridas sábado e ontem, encaminham um modelo de gestão para o Hospital Materno Infantil Santa Catarina. O Estado não tem como assumi-lo integralmente, enquanto o município não vê condições de geri-lo nem parcialmente. Mesmo assim deve sair um esforço muito grande e a chance do governador Eduardo Moreira inaugurar a obra existe.

Sobram alunos nas salas
A Secretaria de Educação de Criciúma está correndo contra uma dificuldade que simboliza bem a crise econômica vivida no país. Cresceu o número de alunos nas escolas municipais a ponto de falta mesa e cadeira em algumas escolas. Tem diretor fazendo revezamento de alunos, enquanto não chega nova remessa. A interpretação do governo é que o êxodo de alunos da rede particular e estadual é a responsável por isso. Há quem entenda que houve tempo para se planejar e evitar o problema. Escolas da rede particular registraram casos de 20 por cento de redução no número de alunos, que deixam de pagar mensalidades de até R$ 800,00 para estudar gratuitamente na rede pública.

MUDANÇA A rede pública municipal de educação em Criciúma adotou uma medida que alterou a rotina de muitos pais. Para reduzir a folha de pagamento, professoras tiveram carga reduzida. Com isso escolas que abriam às 6h30min passaram a abrir uma hora mais tarde.

ONDE FICAR Muitos pais que antes deixavam seus filhos na escola antes de ir para o trabalho, passaram a ter um novo problema: “com quem deixar o filho nesta hora a mais?”. Muito simples: escola não é depósito de aluno, mas pais trabalhadores se planejam com esta ajuda.

CAIXA Se por um lado a prefeitura viu aumentar a folha de pagamento em virtude da contratação de 110 novos professores concursados e efetivos, o CriciumaPrev respira aliviado. Estas vagas antes eram preenchidas por professores ACTs, que contribuíam direto ao INSS. Os concursados contribuem com o sistema de previdência dos servidores. Isso significa cerca de R$ 25 mil todos os meses.

BOLHA Apesar de toda negativa sobre o risco eminente no sistema de previdência dos servidores municipais de Criciúma, há exemplos de sobra de que se nada for feito, em breve os servidores terão problemas. O Estado já decidiu aumentar a contribuição para evitar a quebradeira. No município insiste-se com a tese de que está tudo controlado.

EXEMPLO Não são poucos os casos de professores municipais de Criciúma que estão aposentados com valores que giram em torno de R$ 10 mil mensais. Há pelo menos um caso de R$ 12 mil de benefício mensal.

TURISMO A Secretaria de Estado de Turismo de Santa Catarina apresentará no dia 6 de março, em Praia Grande, o projeto de candidatura dos Caminhos dos Cânions do Sul como geoparque da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco).

IMPRENSA Se o PP tiver candidato a governador terá que pedir emprestado toda estrutura de imprensa do PSD. A observação é simbólica, mas reflete a desorganização da comunicação do PP com a imprensa, enquanto a estrutura de Merísio é melhor que a do próprio governo.

FRASE DO DIA
“Sou candidato porque que temos a obrigação de impedir o continuísmo, que não faz bem a democracia. Meu sonho é que nos renovemos e tenhamos candidato a governador”.
Deputado federal Esperidião Amin, durante discurso ontem em reunião do partido.


Notas do Radar

 personJoão Paulo Messer
access_time19/09/2017 - 21:50

Estranho
Nos bastidores da Assembleia Legislativa vale a pena notar como se movimentam os deputados para aprovar um financiamento que a Celesc busca em dois organismos internacionais, totalizando o estrondoso montante de R$ 1,1 bilhão. É dinheiro para expansão. Ocorre que para isso o Estado tem que oferecer algumas garantias. E há pressa nisso, pois o prazo termina no fim do mês.

Tem curto
O curioso da movimentação política interna dos gabinetes parlamentares é que até o PT, que é oposição, já se manifestou favorável. O curto circuito parece estar na base de governo. Parece que o projeto é bom, mas tem voto de deputado que precisa de ordem “externa”. Pelo visto, está mais fácil o diálogo entre oposição e Governo do que entre os próprios aliados. Hoje o assunto deve evoluir.

De volta
O deputado estadual Gelson Merísio, presidente estadual do PSD, passou alguns dias fora do país e na sua volta já tem agenda intensa para recuperar o pique de pré-campanha que tem empregado. Mal saiu de cena e no próprio PSD surgiram outros movimentos. Um deles é o de desejo de um grupo forte do partido Criciúma, ter João Rodrigues candidato ao governo pelo PSD.

Na trincheira
Recentemente, quando Gelson Merísio fez roteiro pelo Estado como pré-candidato, em Criciúma apareceu uma destas faixas que já revelava o movimento destoante. Na ocasião a tal faixa, sem autoria, não chegou a ser afixada internamente no evento. Ficou de lado.

Mulher na gestão
A rotina da primeira reitora na história da Unesc tem sido intensa. Agenda técnica, institucional e política. Luciane Ceretta, responde fácil aos elogios: “me preparei para isso”. Pesquisadora por profissão é uma estudiosa da gestão de pessoas, de processos e de recursos. Tem sido personagem mais notada nos eventos dos quais participa.

Mulher de prestigio
Outra mulher extremamente elogiada pelo seu trabalho é a diretora de Comunicação da Assembleia Legislativa, Thamy Soligo. Ela visitou os veículos de comunicação de Criciúma nesta segunda-feira. Dona de um perfil de liderança é unanimidade entre os profissionais de imprensa em Santa Catarina. No cargo tem uma gestão inquestionável pela retidão e tratamento isonômico.

Devolva a medalha Gedel
Os deputados estaduais de Santa Catarina tiveram que anular a concessão de uma medalha concedida em 2010. Na ocasião o então Ministro do governo petista, Gedel Vieira Lima, foi indicado pelo ex-governador Luiz Henrique da Silveira. A entrega foi em grande estilo. Para não manchar a medalha, o deputado João Amin (PP), agora propôs e a medalha foi anulada. Gedel é o personagem dono daquelas malas de dinheiro que encontradas em um apartamento em Salvador (BA).

DE VOLTA A semana de ausência aqui na coluna foi para dedicação exclusiva a um evento realizado, com êxito absoluto, na última segunda-feira na rádio Eldorado.

ENFIM Até que enfim alguém falou, mesmo que nãoa tenha sido de forma direta. Me refiro ao que o presidente da Fundação Cultural, Serginho Zapellini, falou sobre a Festa das Etnias. Considera que não só o local da festa, mas tudo sobre a ela deve priorizar o grande público, não o interesse das Etnias.

DISSE O que Serginho Zapellini não falou é que a Festa das Etnias está tomando o mesmo caminho do carnaval de rua, em que apenas o governo aporta recursos. A percepção é que as Etnias ainda tem lucro.

RESTRITOS Com poucas exceções os grupos étnicos de Criciúma não produzem nada ao longo do ano, nem são capazes de bancar os custos da festa. A inabilidade destes grupos é tamanha que devolveram a festa ao município.

MUDANDO O SINE de Criciúma tem mudado de endereço até duas vezes por ano, nestes últimos tempos. Esta migração deve acabar a partir de agora. Depois de ter sido “despejado” por falta de pagamento do aluguel, finalmente ganha casa própria.

INAUGURA A nova sede do SINE fica anexo ao prédio da Agência de Desenvolvimento Regional. A inauguração acontece amanhã, quando o Secretário de Estado da Ação Social, Valmir Comin, fará seu dia de interiorização do governo.

SOLIDES Nesta semana a atual diretoria do Sindicato dos Motoristas de Criciúma voltou a ter despacho favorável na Justiça. A tentativa da oposição em reverter decisão da última eleição, anulando a chapa vencedora, foi rechaçada pela Justiça.

FRASE
“Temos que ouvir a população de Criciúma e não podemos ficar fazendo festa para contentar meia dúzia de grupos.”
Serginho Zapellini, presidente da Fundação Cultural explicando que o local da Festa das Etnias não pode ser uma decisão dos grupos étnicos.

Educação do município não quer a do Estado como sócia

 personJoão Paulo Messer
access_time19/09/2017 - 21:17

Depois de audiência pública para discutir a municipalização de algumas escolas estaduais, nesta semana em Criciúma, a prefeitura está retirando a intenção de assumir escolas como a José de Patta (Bairro Colonial) e Luiz Lazarin (Rio Maina). A opção oferecida pelo Estado de ceder algumas salas ociosas para espécie de gestão compartilhada Estado/Município, não agrada a prefeitura. Está flagrante que o município não quer gerir escola em sociedade com o Estado. E a razão é simples. É a mesma que leva os pais deixarem as escolas do Estado migrando os filhos para o município. Notado que o município faz uma gestão muito melhor das escolas de ensino fundamental que o Estado.
O Estado demonstra, por suas atitudes, que tem nítida preferência pela manutenção dos professores oque, em alguns casos, significa vir em detrimento do aluno. Isso fica evidente com a queda na qualidade das condições dos alunos. Basta olhar para uma escola do Estado e uma do município para perceber a diferenteça, Basta notar o movimento dos pais que preferem nitidamente a escola municipal. Se o Estado não parar de ter medo de greve, contribuirá para apressar o desmanche da sua proposta de ensino. Priorizar o professor sim, nunca em detrimento do aluno. O Estado não tem conseguido manter este equilibrio.
O Sindicato está no seu papel, o professor também. O Estado é que não tem feito o seu. A rede pública de Estado se afastou dos alunos e dos pais. Pior que isso é que em muitos casos a gestão escolar está feita na base do achego político. É assim. Aproveita-se quem pode. O Estado é que não pode permitir.É natural que isso não é regra, mas o Estado tem que aprender a difundir a excessão. Reprovar a acomodação e aprovar a renovação.
Ontem a Secretária de Educação de Criciúma foi pontual: ao Município não interessa gestão compartilhada em escola alguma. E mais, usou a migração de alunos da rede estadual para a municipal para dizer que não pretende gerir nada com quem não sabe gerir. Recado duro, direto e abonado pela realidade posta aos olhos de quem se dá o tempo de analisar.

Ambiente da política

 personJoão Paulo Messer
access_time18/09/2017 - 18:28

Com a estreia do novo portal da Rádio Eldorado se amplia a possibilidade de interagirmos no ambiente da política. Mais de uma vez ao dia, preferencialmente sempre que houver fato novo, e relevante, devo comparecer a este espaço para informar e comentar. O dinamismo da política tem sido algo espetacular. Num mesmo dia o fato pode ter mais de uma versão. A certeza de amanhã é a incerteza de hoje, mas pode voltar a ser incerteza depois de amanhã.
Não há surpresa nisso tudo, nem se trata de uma questão local ou pontual. A incerteza no cenário de política nasce com as dúvidas sobre qual regra vai valer para as eleições do ano que vem. A reforma eleitoral corre risco de não mudar nada. Reforma sem nenhuma reforma. Nem mesmo o indispensável fim das coligações e a razoável cláusula de barreira devem valer. Pelo menos é o que sinalizaram os trabalhos desta semana. Depois de amanhã a informação pode ser outra.
No Estado a curiosidade maior é sobre a força da proposta de Gelson Merísio (PSD), que nasceu sob a desconfiança de todos, mas que não diminui o ritmo e até já levou o PMDB a falar em abrir mão da coligação com o PSD de Raimundo Colombo. Os peemedebistas lançam olhares sobre o PSDB que jura ter a força que não se consegue enxergar, a de ter um candidato próprio a governador. Se é que alguém tem esta capacidade é o senador Paulo Bauer, que anda silencioso demais para que quer ser candidato.
No PMDB não há necessidade de definir muito cedo quem é o candidato. Afinal, sigla acredita tem força o suficiente para eleger “um poste”. Para o Senado já fez isso na eleição passada. Acho até que é melhor que o PMDB demore ao máximo para definir o nome, pois quem sabe o “tercius” deste cenário seja o atual vice-governador Eduardo Pinho Moreira. Isso seria bom demais para o Sul.
O PPAMIN é outra sigla que ensaia candidatura própria. O PP que um dia tentou não ser PPAMIN morreu na praia pisoteado por raposas tão hábeis quanto o próprio líder progressista Esperidião Amin, que é o único com capacidade de dizer para e como o partido deve ir. Os outros da sigla, aqueles que tentam dar vida própria ao PP sem Amin não tem capacidade de respirar sem o principal aparelho progressista, o brilho da mente de Amin.
E vai ser por ai que nos vamos nos cruzar daqui por diante, aqui no blog do novo portal da Rádio Eldorado.