A proximidade do ano letivo reacende o movimento nas papelarias de Criciúma, impulsionado pela necessidade de cumprir listas escolares que orientam as compras das famílias. O planejamento antecipado é cada vez mais comum e reorganiza o fluxo do comércio local.
No bairro São Francisco, a Lika Variedades adota atendimento ágil e digitalizado: listas enviadas por WhatsApp são orçadas, separadas e disponibilizadas para retirada, prática que otimiza tempo e facilita a vida dos pais. A compra, porém, segue como um momento familiar, com crianças participando das escolhas.
No Rio Maina, a demanda é influenciada por tendências do universo infantil e juvenil, com personagens, jogos e referências pop dominando as preferências. Já no centro, a Livraria Fátima percebe outro comportamento: universitários iniciam as compras apenas após as primeiras orientações dos professores, movimentando o setor em uma segunda etapa do calendário.
O Observatório Econômico da CDL destaca que 95,3% das papelarias locais são microempresas, evidenciando a relevância econômica e social desse segmento, que se mantém essencial para a engrenagem do início do ano letivo.
EDITORIAL – O combate à corrupção começa por nós.
personJoão Paulo Messer access_time06/03/2026 - 06:30
A corrupção costuma ser tratada no Brasil como um fenômeno distante, quase sempre associado aos grandes escândalos que ocupam manchetes e inflamam debates públicos. Quando pensamos nela, imaginamos cifras bilionárias desviadas, contratos fraudulentos e complexas engrenagens de poder operando nas sombras. Contudo, essa visão limitada cria uma confortável ilusão moral: a de que a corrupção mora sempre no outro, nunca em nós. É justamente aí que reside uma das raízes mais profundas desse problema, que corrói a confiança pública e fragiliza nossas instituições.
A verdade incômoda é que a corrupção não nasce apenas nos palácios, nos gabinetes ou nas grandes operações financeiras. Ela germina também nas pequenas concessões do cotidiano, nos gestos aparentemente banais que normalizamos ao longo do tempo. Está no “jeitinho” para furar uma fila, na tolerância com a vantagem indevida, na tentativa de driblar regras que deveriam valer para todos. Quando essas práticas se tornam corriqueiras, formam o terreno fértil onde as grandes corrupções florescem. Afinal, sociedades que relativizam pequenas transgressões acabam criando um ambiente cultural permissivo para crimes maiores.
Isso não significa, de forma alguma, que devamos diluir ou relativizar os grandes esquemas que desviam recursos públicos e comprometem o futuro do país. Ao contrário. Escândalos de grande proporção, como o caso envolvendo o Banco Master, exigem indignação pública firme, investigação rigorosa e responsabilização exemplar. A sociedade tem o dever de reagir, de cobrar transparência e de repudiar qualquer tentativa de transformar o interesse público em oportunidade privada de enriquecimento.
Mas a coerência moral exige que ampliemos nosso olhar. Não basta condenar a corrupção quando ela aparece nas manchetes; é preciso reconhecê-la também quando se manifesta em escala reduzida ao nosso redor. Uma sociedade que se indigna apenas com os grandes escândalos, mas tolera pequenas desonestidades cotidianas, acaba reproduzindo o mesmo ciclo que diz combater.
O combate à corrupção, portanto, não se resume a operações policiais ou reformas institucionais, embora ambas sejam necessárias. Ele começa também na ética diária de cada cidadão, na recusa em participar de qualquer prática que viole o princípio da honestidade. Combater a corrupção é rejeitar o privilégio indevido, respeitar regras comuns e entender que o bem coletivo depende do comportamento individual.
Nesse sentido, a vigilância social se torna uma ferramenta essencial. Uma sociedade vigilante é aquela que observa, questiona e denuncia, independentemente da dimensão do ato corrupto. Do pequeno abuso cotidiano ao grande escândalo financeiro, tudo precisa ser exposto e enfrentado. O silêncio e a complacência são aliados silenciosos da corrupção.
Nosso papel, portanto, é duplo e intransferível. Devemos cultivar integridade em nossas próprias ações e, ao mesmo tempo, manter uma postura firme diante das irregularidades que presenciamos. Não coadunar com práticas corruptas é mais do que um gesto individual; é um compromisso com a construção de um país mais justo.
Se quisermos, de fato, transformar a realidade brasileira, precisamos compreender que a corrupção não é apenas um problema de governos ou de instituições. Ela também reflete escolhas cotidianas da própria sociedade. Romper esse ciclo exige coragem moral, consciência coletiva e disposição para agir.
Somente quando denunciarmos, com a mesma convicção, tanto os pequenos quanto os grandes casos de corrupção, poderemos começar a desmontar a cultura de permissividade que ainda persiste no país. Afinal, a ética pública se constrói na soma de milhares de atitudes privadas.
É justamente nessa vigilância permanente, crítica, ativa e responsável, que reside uma das mais poderosas armas da cidadania contra tudo aquilo que insiste em manter o Brasil refém da corrupção.
EDITORIAL – Vivemos sob a regência de um escândalo incomparável
personJoão Paulo Messer access_time05/03/2026 - 06:45
Apesar de tudo o que estamos vendo em paralelo no Brasil, não há como não abrir os olhos para aquele que se apresenta como o maior escândalo da história do país.
Desde os tempos do Império, da Velha e da Nova República, da ditadura, da abertura, do Brasil democratizado e do Brasil entregue à gestão de representação da massa trabalhadora, como gostam de cantarolar os aliados do atual governo Lula, nunca antes na história deste país se viu algo tão nojento e assustador como o que vem acontecendo com este tal escândalo do Banco Master.
Não que isso soe tão estranho. Não é o escândalo, mas, quem sabe, o tamanho dele que nos remete ao assustador.
Lá nos tempos passados, os escândalos eram amenizados ou varridos para debaixo dos tapetes, até mesmo com assassinatos, como foi o de PC Farias, como devem lembrar os que vivem as mazelas deste país há mais tempo. E, na madrugada de hoje, um dos homens-chave deste esquema, braço direito de Vorcaro, morreu, pelo que indicam as notícias oficiais, em consequência de suicídio, num hospital da cadeia.
O cenário nacional alcança figuras que não se restringem ao governo. Fora deste governo, dentro do governo passado e sabe-se lá por onde, neste país, há gente na lista de suspeitos.
O noticiário desta quinta-feira consegue se apresentar ainda mais assustador do que o que se teve até ontem. E não pensem que o de amanhã será menos assustador. Não cessa a inquietude sobre onde vamos parar com tudo isso.
Uma das conclusões que li hoje revela que o Banco Master era a fachada de uma máfia, cujo comandante deve ser o tal de Vorcaro. Chefe ou gerente.
O negócio é tão absurdo que o sujeito tinha capangas para ameaçar, coagir e, se fosse o caso, remover do caminho quem ameaçasse o sistema.
Encontros às escondidas com o presidente da República, relações com chefes estratégicos do governo passado são apenas alguns dos rastros deixados e agora revelados pela investigação.
Os Poderes e os poderosos estão todos envolvidos até o pescoço. O dito sistema alcançou a todos. E não são apenas os políticos. Há empresários, religiosos e outros tantos endeusados deste país que agora temem, no futuro, ter de abraçar o capeta.
EDITORIAL - Acordando em dia de guerra e olhando ao redor
personJoão Paulo Messer access_time04/03/2026 - 06:25
Um conflito envolvendo potências como Estados Unidos, Israel e Irã nunca fica restrito ao Oriente Médio. Mesmo a milhares de quilômetros, a gente sente aqui no Brasil os reflexos. Afinal, vivemos em uma economia globalizada. O primeiro impacto costuma ser no preço do petróleo.
O Irã é um grande produtor e está em uma região estratégica, próxima ao Estreito de Ormuz, por onde passa boa parte do petróleo mundial. Se há risco de bloqueio ou redução da oferta, o mercado reage imediatamente. O barril sobe, e isso pressiona os combustíveis no Brasil. Ainda que a Petrobras tenha política própria de preços, ela leva em conta o mercado internacional.
Assim, gasolina, diesel e gás de cozinha podem encarecer, sim. Com o diesel mais caro, o frete sobe. Como o Brasil depende fortemente do transporte rodoviário, alimentos, medicamentos e produtos industrializados acabam ficando mais caros.
A inflação pode ganhar força, corroendo o poder de compra das famílias. O Banco Central, para conter essa pressão, pode manter os juros elevados por mais tempo, o que encarece crédito, financiamento e investimentos.
Outro reflexo possível está no câmbio. Em momentos de tensão internacional, investidores buscam mercados considerados mais seguros, como os Estados Unidos. Isso fortalece o dólar e enfraquece moedas como o real. O dólar alto impacta importações, desde trigo até componentes eletrônicos, pressionando ainda mais os preços internos.
O setor agrícola também pode ser afetado. Fertilizantes e insumos agrícolas têm forte relação com o mercado internacional e com custos atrelados ao petróleo e ao gás. Qualquer alta expressiva nesses insumos repercute na produção e, consequentemente, no preço dos alimentos.
Há ainda efeitos indiretos sobre investimentos. Projetos podem ser adiados, a bolsa pode oscilar, e empresas ficam mais cautelosas. O turismo internacional também sente: passagens aéreas sobem com o querosene mais caro e o câmbio pressionado.
Afinal, em um mundo interligado, guerras regionais têm efeitos globais, sim, e nós, brasileiros, também acabamos pagando parte dessa conta.
EDITORIAL – TSE define prazos e regras à eleição de 2026
personJoão Paulo Messer access_time03/03/2026 - 06:20
Estão definidas as regras do jogo eleitoral de 2026. O TSE reuniu-se ontem. A Inteligência Artificial é o grande adversário do processo de escolha dos nossos representantes. Foi-se o tempo em que se atribuía às pesquisas a má influência sobre a opinião pública.
Devemos nos vacinar contra influências provocadas por narrativas mentirosas que devem jorrar pela internet. A ferramenta que nos permite dar velocidade à comunicação é, hoje, a mais perigosa arma da sociedade. A internet não pode ser consumida como remédio, mas deve ser manuseada como um perigoso veneno, inclusive em um processo eleitoral como o que se avizinha.
Apesar das medidas e cautelas aprovadas ontem pelo Tribunal Superior Eleitoral, não há a menor esperança de que a eleição deste ano será um jogo limpo. Muito pelo contrário: esse jogo já foi desonesto no passado e se tornará ainda mais perigoso.
Uma arma na mão de cada um, cego ou não, cujo alvo vai do simples leitor ao homem público que decidir entrar no jogo para se apresentar como representante da sociedade. As baixarias, mentiras e ameaças não conseguirão ser controladas, e isso o Tribunal Superior Eleitoral já admitiu. Cabe, por isso, ao eleitor saber que estamos entrando em um jogo perigoso e malicioso.
A interpretação dos fatos precisa ser feita com cautela e checagem. A força dos veículos oficiais se reforça, mas, obviamente, não é imune à amaldiçoada manipulação da opinião pública.
As regras do jogo eleitoral, o calendário e o que deve ser observado foram definidos pelo TSE ontem. O órgão faz o anúncio dessas definições com um ato quase confessional: caberá ao cidadão ser o juiz da verdade, pois a capacidade de fiscalização do órgão regulador fica muito distante da realidade. Será o jogo do Deus nos acuda?
EDITORIAL – Mês de 31 dias, sem feriados e com escala 6x1
personJoão Paulo Messer access_time02/03/2026 - 06:30
Março chega como quem abre a janela depois de um verão intenso e convida à ação.
É um mês inteiro, robusto, com seus 31 dias bem distribuídos no calendário.
Em um ano marcado por tantos feriados, março surge quase intacto, pronto para produzir.
Quando o mês oferece cinco domingos, oferece também quatro semanas completas de trabalho.
É tempo de ajustar metas, organizar ideias e transformar promessas em prática.
Março não é apenas passagem: é impulso.
É o mês que pode se tornar o mais produtivo do ano.
Sem grandes interrupções no calendário, ele exige foco e constância.
A rotina da escala seis por um segue como engrenagem que sustenta o ritmo do país.
Ainda vivemos sob a lógica do esforço contínuo, da semana que constrói resultados.
E há dignidade nisso: produzir é também participar da construção coletiva.
Mas março não é só trabalho; é também movimento político.
Em ano eleitoral, o mês ganha contornos estratégicos.
É quando se intensificam articulações e decisões partidárias.
O prazo para mudança de partido por parte dos deputados aquece os bastidores.
Alianças se redesenham, discursos se ajustam, projetos ganham nova forma.
O eleitor atento percebe que março antecipa o tom da disputa que virá.
É um mês de definições silenciosas e movimentações decisivas.
Enquanto isso, a vida comum segue seu curso, firme e produtiva.
Cada dia útil é oportunidade concreta de avançar.
Cada semana completa é chance de consolidar resultados.
Março nos desafia a transformar tempo em realização.
Que seja, portanto, o mês da disciplina, da estratégia e da produtividade.
EDITORIAL: Abertura do Programa desta quinta-feira (26)
personJoão Paulo Messer access_time26/02/2026 - 06:30
Os movimentos políticos do PL, ontem, em Brasília, mostram que, de novo, em 2026, vamos trilhar o caminho da escolha do voto dos brasileiros pela rejeição. Flávio Bolsonaro já toma forma de candidato a presidente. De outro lado, já está definida a pretensão do PT com a reeleição de Lula.
Eleição polarizada não é o melhor caminho, aqui ou em qualquer lugar. A resposta do "sim" ou "não" é muito estreita para que um país vasto se manifeste, mas é o que haverá no novo ano. Parece-me que, pela construção das candidaturas, a tal terceira via, que teve candidatos muito fracos em 2022, se repita em 2026.
Cabe ao eleitor a missão da escolha, e a pior delas é a negação ou a abstenção. Trata-se de um cenário que provoca os brasileiros a optar. A partir de agora, também Santa Catarina, com candidaturas definidas, deve entrar na disputa eleitoral. Uma eleição bastante antecipada para os padrões do eleitor brasileiro. Mas é preciso lembrar que tem sido assim. As escolhas se restringem entre o que não queremos e o que não desejamos. Assim, ficamos praticamente na obrigação, sem a opção de votar com tranquilidade, temendo perder o voto.
É óbvio que teremos outras candidaturas, mas, até pela demora em suas definições, pode-se medir o quanto a polarização vai marcar a eleição. Resta, entretanto, aos brasileiros, a experiência de outros tempos, em que, na briga pelo poder, só quem não pode perder é o cidadão eleitor. Perder amigos, perder relações familiares, perder a saúde, perder a razão de ser eleitor brasileiro. Essa briga do nós contra eles não pode atingir as relações entre os eleitores. Só quem não pode perder somos nós mesmos. Portanto, que sejamos ponderados.
Editorial: O real cenário do Brasil
personJoão Paulo Messer access_time25/02/2026 - 06:30
Não há como se arriscar a fazer um comentário analítico quando não se conhece profundamente a área. Ainda assim, vale registrar os dados divulgados nas últimas horas sobre a situação econômica dos brasileiros.
A leitura revela um Brasil vivendo uma questão intrigante. Refiro-me ao fato de que, enquanto os indicadores oficiais apontam inflação mais comportada e desemprego em mínimas históricas, a realidade das famílias conta outra história.
Foi divulgado o chamado Mapa da Inadimplência da Serasa. Nele, a revelação de que quase metade da população adulta, 49,66%, tem dívidas em atraso. Ou seja, não consegue pagar suas contas.
Falta educação financeira e sobra crédito fácil. Muitos transformam o limite do cartão em extensão da renda. As apostas esportivas drenam orçamentos já apertados. E ainda há estímulos oficiais ao endividamento, como o consignado, que pode virar armadilha para quem não planeja.
O resultado é dramático. Dados mostram que mais de um quarto das dívidas está concentrado em bancos e cartões. Em seguida, vêm contas básicas, como água e luz, sinal claro de que o sufoco já atinge o essencial.
É importante observar que temos juros elevados. A Selic está em 15% ao ano, com juros reais próximos de 10%. O crédito rotativo do cartão beira 450% ao ano.
CNPJs também estão inadimplentes. A renegociação ajuda, mas é paliativa. Se não houver redução da carga fiscal e dos juros, não há outra saída senão a dos aeroportos internacionais.
Indicadores oficiais apontam inflação mais comportada e desemprego em mínimas, mas a realidade conta outra história.
Eleição em Morro da Fumaça mostra força do prefeito Guollo
personJoão Paulo Messer access_time22/02/2026 - 07:11
Apostar na chapa de Situação em eleição de cooperativa de eletrificação é sempre barbada. Ou quase sempre. No Morro da Fumaça, neste fim de semana um resultado chamou a atenção. A Situação venceu a eleição para formação do Conselho Fiscal popr apenas 21 votos num universo de pouco mais de três mil votos.
A Chapa Um somou 1.562 votos contra 1.541 da Oposição. A diferença mínima pode ser reduzida para 11 deputados, que se votassem de forma diferente teriam dado a vitória à oposição. A partir dai acendeu um alerta sobre a atual diretoria administrativa. Primeiro porque a Oposição guardou a estratégia até o final do período susrpreendendo a Situação. Outro aspecto que acomodou a situação foi o possível - ou confirmado - apoio do ex-prefeito Noi Coral, o que dignificaria o governo municipal desinteressado. Não foi o que aconteceu.
O atual prefeito Eduardo Guollo, que foi vice de Noi, assumiu a postura de comandante do navio e liderou a articulação da Oposição. Pelo visto a gota d´água não é fato do atual presidente administrativo Rudi Recco ter admitido que pode trabalhar para mudar o estatuto da entidade e com isso permanecer por pelo menos mais um mandato. Este foi o argumento fote da oposição.
O prefeito Eduardo Guollo apostou numa estratégia arriscada. Poderia ter sofrido a mesma reviravolta que o prefeito Dalvânia Cardoso sofreu em Içara (Cooper Aliança) e o prefeito Ademir Magagnin morreu em Cocal do Sul (Cooper Cocal). Ambos sairam chamuscados ao perder as eleições recentes em suas cooperativas. Guollo apostou, perdeu por 21 votos mas num processo que lhe deu muita força.
Editorial - O cenário econômico revela a máquina pública operando no vermelho
personJoão Paulo Messer access_time20/02/2026 - 10:35
O Brasil assiste, ano após ano, a um enredo fiscal que já não surpreende, apenas preocupa. Em 2025, a situação das contas estaduais se deteriorou pelo quarto ano consecutivo, confirmando aquilo que muitos gestores evitam admitir: o setor público, nos estados, opera no limite de sua capacidade financeira e política.
O enfraquecimento da atividade econômica atingiu diretamente o coração da arrecadação: o ICMS. Quando o consumo desacelera e a produção perde fôlego, o principal tributo estadual sente primeiro. E, sentindo primeiro, compromete tudo o que vem depois, ou seja, folha de pagamento, investimentos e manutenção de serviços essenciais.
A dependência excessiva de um único imposto revela não apenas fragilidade econômica, mas também falta de diversificação fiscal.
Ao mesmo tempo, governos que renegociaram dívidas ganharam um fôlego temporário. Mas o que deveria representar reorganização estrutural acabou servindo, em muitos casos, como combustível para a expansão de gastos. Às vésperas do calendário eleitoral, investimentos aumentaram, despesas correntes cresceram e a prudência fiscal foi relativizada. A história brasileira já mostrou como esse roteiro costuma terminar.
Os números do Banco Central são eloquentes: superávit de apenas 0,04% do PIB, o pior desempenho desde 2014, quando houve déficit. Trata-se de um equilíbrio meramente contábil, quase simbólico. Um resultado que não representa solidez, mas, sim, um fio esticado ao máximo antes de romper.
O Relatório Resumido da Execução Orçamentária confirma a tendência preocupante: enquanto as despesas avançaram 5,7% acima da inflação, a receita cresceu apenas 3,4% em termos reais.
A conta é simples e insustentável. Gastar sistematicamente mais do que se arrecada, mesmo em ambiente de crescimento modesto, é pavimentar a próxima crise.
Não se trata apenas de números frios. Trata-se da capacidade do Estado de honrar compromissos, investir com responsabilidade e oferecer serviços públicos minimamente eficientes. Quando a máquina pública cresce sem lastro, quem paga é o contribuinte, seja por meio de impostos mais altos, seja pela precarização dos serviços.
O discurso da responsabilidade fiscal não pode ser seletivo, ativado apenas quando convém politicamente. A falência do setor público não acontece de um dia para o outro; ela se constrói lentamente, na soma de decisões populistas, na ausência de reformas estruturais e na resistência em enfrentar privilégios.
Se nada mudar, o superávit mínimo de hoje poderá ser o déficit estrutural de amanhã. E, como sempre, a conta chegará, não para os governantes de ocasião, mas para a sociedade que sustenta o Estado.
O carnaval do Nós e Eles
personJoão Paulo Messer access_time19/02/2026 - 06:30
O carnaval revela que continuamos divididos entre nós e eles no país. A vitória da escola Unidos do Viradouro no carnaval do Rio de Janeiro é apenas a confirmação de uma tradição da disputa na avenida, sem interferência externa. É o que aparenta.
Mas foi na zona da degola, como se diz no futebol, ou seja, no rebaixamento, que reside a atenção dos carnavalescos desinteressados em harmonia, samba-enredo e outros quesitos. O que importa mesmo do carnaval do Rio, aqui para nós no Sul, assim como na maioria das regiões do Sul do Brasil, é que a escola que homenageou Luiz Inácio Lula da Silva caiu.
A leitura é de que a queda se assemelha ao que vem por aí nas urnas.
Daí, entretanto, retiro outra interpretação: a de que o carnaval reforça a tese de que somos dois lados — o que apoia Lula e o que o rechaça. Não se trata de ser petista ou bolsonarista. Trata-se de ser contra ou a favor do governo Lula. E tudo tem uma explicação simples: a reprovação aos modos de operação do governo que, há mais tempo, permaneceu no poder — os oito anos de Lula, os quase quatro de Dilma Rousseff e mais quatro de Lula. Tempo suficiente para dar ao Brasil a certeza do que o brasileiro da produção, do labor, da luta pelo pão de cada dia, não quer.
Nem os quatro anos de Jair Bolsonaro, que se propôs a romper com esse modelo, foram suficientes para que se tivesse clareza sobre o que o brasileiro quer. Concluiu-se, nesse período, apenas o que não se quer.
Os articuladores petistas têm a certeza de que o melhor adversário de Lula é, novamente, Bolsonaro. Os bolsonaristas têm a convicção de que o melhor adversário é Lula. Mas qual será a certeza do brasileiro da labuta, do trabalho e pagador dessa conta? É o que se poderá dizer quando mais esta eleição passar.
O que restou do carnaval não foi a comemoração da vitória da Viradouro na Sapucaí, mas a derrota da escola que homenageou Lula. Rebaixada.
Editorial - Carnaval da “descultura”
personJoão Paulo Messer access_time18/02/2026 - 10:10
É comum ouvirmos que o resgate cultural do país precisa ser incentivado. Verbas públicas são despejadas por meio de canais que se apresentam como vetores para que o brasileiro não se desconecte de sua história nem esqueça seus heróis. Afinal, esses são pontos básicos do princípio cultural de qualquer sociedade que se preocupa, minimamente, com a conexão entre os tempos: origem e realidade como base para sustentar o futuro.
O que se viu na avenida, em grandes desfiles como os do Rio de Janeiro e de São Paulo, foi a demonstração de que o carnaval já não pode ser considerado, automaticamente, um evento que referencia a cultura brasileira. As poucas “grandes” escolas que se atreveram a abordar o mundo agro, por exemplo, o fizeram de maneira distante da realidade.
No Rio, a mesma escola que protagonizou a polêmica homenagem ao herói Lula tentou associar o ex-presidente ao agro, como se tratasse o setor como um conservante gigante, e não como conservador. Nem a semelhança das palavras é suficiente para esclarecer o recado transmitido.
Em São Paulo, a escola do Tatuapé buscou resgatar sua histórica ligação com o mundo rural, mas acabou revelando desconhecimento sobre o tema. A comunidade tornou-se, ao longo do tempo, uma região voltada ao comércio e aos serviços, distante do que representa o agronegócio na atualidade.
O mais próximo que o carnaval chegou do setor agro veio de Santa Catarina: Balneário Camboriú apostou em um show de música sertaneja. Ainda assim, quando se fala em resgate cultural, o carnaval dos grandes centros do país merece nota zero no quesito originalidade.
Desconhecer o mundo agro não é crime. O que não se pode é sustentar narrativas superficiais com gordas verbas públicas.
Bomba na política: João Rodrigues é candidato
personJoão Paulo Messer access_time13/02/2026 - 10:35
Durante entrevista coletiva convocada para a manhã desta sexta-feira (13), em Chapecó, foi anunciado que, ao contrário do que Jorge Bornhausen havia declarado na véspera, o prefeito do município é, sim, o nome da sigla para disputar o governo do Estado.
Na coletiva, o presidente do PSD em Santa Catarina, Eron Giordani, informou que o partido abriu processo de expulsão do prefeito de Florianópolis, Topázio Neto. A medida é consequência da declaração do gestor da Capital, filiado ao PSD, de que permaneceria na sigla, mas apoiaria a reeleição do governador Jorginho Mello.
O posicionamento provocou a indignação de João Rodrigues, que afirmou, na quinta-feira, que não seria mais candidato ao governo caso Topázio continuasse no partido.
Também ficou evidente, durante a entrevista, que o PSD pretende lançar candidato à Presidência da República. Giordani anunciou que Ratinho Júnior já tem data prevista para renunciar ao governo do Paraná e se dedicar à campanha presidencial.
Editorial - Em tempos de redes sociais, a notícia vira um instrumento dúbio quando se fala de impacto na sociedade. Noticiar ou divulgar?
personJoão Paulo Messer access_time13/02/2026 - 06:20
Começo o programa de hoje com uma reflexão de bastidores e das nossas conversas antes de escolher os assuntos que vão ao ar. É a nossa chamada reunião de pauta. Falo sobre a necessidade de tratar do papel da notícia em tempos de exposição instantânea e permanente, também muito forte nas redes sociais.
Os tempos são diferentes dos que já vivi outrora. A notícia não é mais domínio exclusivo dos veículos de comunicação. Nunca se divulgou tanto, nunca se soube tanto e, paradoxalmente, nunca se questionou tanto o efeito do que se divulga.
Quando um caso de maus-tratos a animais vem a público, a primeira reação costuma ser de indignação coletiva. As imagens circulam, os comentários se multiplicam, autoridades são pressionadas, leis são lembradas.
Em muitos casos, há aumento nas denúncias, fortalecimento de campanhas de proteção e até crescimento nas adoções. A informação, nesse sentido, cumpre um papel social inegável: ilumina o problema, mobiliza consciências e reforça limites civilizatórios.
Mas há também um outro lado, menos confortável de admitir. Especialistas em comportamento social alertam para o chamado efeito contágio, quando a ampla divulgação de um crime pode inspirar indivíduos predispostos a repetir o ato, seja pela busca de notoriedade, seja pela banalização da violência. A linha que separa a denúncia necessária da exposição excessiva é tênue e, muitas vezes, invisível.
Se, por um lado, a notícia educa, por outro pode dessensibilizar. A repetição constante de cenas de crueldade pode gerar fadiga moral. O público se acostuma, a indignação perde intensidade e aquilo que deveria chocar passa a ser apenas mais um episódio na rolagem do dia.
A informação, que deveria transformar, corre o risco de se tornar ruído.
No caso específico dos maus-tratos contra animais, vemos exemplos claros dessa ambivalência. Após reportagens de grande repercussão, aumentam as buscas por canais de denúncia e cresce o debate sobre punições mais severas. Ao mesmo tempo, relatos policiais indicam que alguns agressores admitem ter sido influenciados por conteúdos semelhantes vistos anteriormente. É a face paradoxal da visibilidade.
A pergunta que fica é: divulgar tudo é sempre o melhor caminho? Ou a forma como se divulga importa tanto quanto o fato em si? Mostrar imagens explícitas é conscientizar ou explorar? Repetir exaustivamente um crime é alertar ou amplificar?
O jornalismo tem o dever de informar, mas também carrega a responsabilidade de medir impactos. A sociedade precisa saber o que acontece, mas precisa, sobretudo, compreender o contexto, as consequências e as soluções possíveis.
Entre a omissão e o sensacionalismo existe um espaço ético que precisa ser ocupado com equilíbrio. Talvez o desafio não seja decidir se devemos divulgar, mas como fazê-lo de maneira que a informação fortaleça a consciência coletiva e não alimente a sombra que pretende combater.
É sobre essa responsabilidade compartilhada, entre quem noticia e quem consome a notícia, que convidamos você a refletir.
EDITORIAL - Não há vacina para o maior mal do Brasil hoje
personJoão Paulo Messer access_time12/02/2026 - 06:30
O Brasil atravessa uma das mais graves crises morais de sua história recente. Não se trata apenas de escândalos pontuais, mas de um ambiente em que a ética parece ter se tornado exceção. A corrupção deixou de ser manchete eventual para se tornar rotina institucional.
Diariamente surgem denúncias de desvios de verbas públicas, fraudes em licitações e favorecimentos ilícitos. Recursos destinados à saúde desaparecem enquanto hospitais enfrentam falta de insumos básicos.
Na educação, verbas se perdem pelo caminho, e escolas permanecem sem estrutura adequada. Obras superfaturadas se multiplicam, muitas delas inacabadas, simbolizando o desperdício crônico. A política, é verdade, concentra parte significativa dessa degradação.
Há parlamentares e gestores que traem a confiança pública em troca de vantagens pessoais. No entanto, reduzir a crise moral à classe política é simplificar um problema estrutural. A corrupção prospera porque encontra terreno fértil na tolerância social.
O famoso "jeitinho" frequentemente serve de disfarce para pequenas transgressões cotidianas. Subornar um agente para evitar uma multa é corrupção. Fraudar benefícios, mentir em declarações ou aceitar propina também são.
Quando cidadãos normalizam tais práticas, alimentam o mesmo sistema que condenam. O corrompido é tão culpado quanto o corruptor. Sem quem aceite a vantagem ilícita, o esquema não se sustenta.
Empresários que pagam propina para garantir contratos públicos participam ativamente da engrenagem. Servidores que facilitam processos mediante pagamento também escolhem violar seu dever. Eleitores que vendem seu voto contribuem para perpetuar o ciclo vicioso.
A crise moral, portanto, é coletiva. Ela se manifesta na cultura da impunidade e na descrença nas instituições. Manifesta-se quando se aplaude o ?esperto? que leva vantagem sobre os demais e quando se ridiculariza quem age com honestidade.
Essa inversão de valores corrói a confiança social. Sem confiança, não há desenvolvimento sustentável nem justiça efetiva. O combate à corrupção exige reformas institucionais firmes e transparência.
Mas exige, sobretudo, uma transformação ética na sociedade. A responsabilidade não é exclusiva de Brasília; começa na consciência individual. Somente quando corruptos e corrompidos forem igualmente reprovados poderemos romper essa endemia moral.
EDITORIAL – Em 10 dias, cinco ações do Gaeco miram a administração mais aprovada da história de Criciúma
personJoão Paulo Messer access_time11/02/2026 - 06:45
Em dez dias, foram cinco ações de investigação com o mesmo alvo: a Prefeitura de Criciúma. Nas cinco investidas, no mesmo período e praticamente sobre o mesmo foco, ainda que em diferentes procedimentos. Qual é a conclusão a que se chega? A esperança de que a vigilância é efetiva e que o nosso patrimônio coletivo está suficientemente protegido? Ou a desilusão de que aquilo que está mais do que aprovado pelo cidadão não é exatamente o que parece?
O Gaeco virou sinônimo de combate à corrupção. Sua presença gera, de um lado, a expectativa de que o patrimônio público está resguardado; de outro, a impressão de que os alvos são seletivos. Qual é a sua conclusão?
A alegação dos alvos dessas ações é quase sempre a mesma: perseguição ou marcação. Coincidências, como movimentos políticos seguidos dessas operações, também alimentam dúvidas na cabeça do cidadão. Mas o que, de fato, devemos concluir diante de ações tão frequentes?
Confessamos a dúvida e o risco de que operações, quando iniciadas e prejudicadas por qualquer solavanco de percurso, como falta de provas ou processos conduzidos com falhas jurídicas e, por isso, anulados ou arquivados, possam gerar outro sentimento ao longo do tempo. Soma-se a isso a lentidão da Justiça.
Santa Catarina já teve uma infinidade de agentes presos, soltos e retomando suas atividades como se o que aconteceu até então tivesse sido mera formalidade de ocasião.
Ao mesmo tempo em que as operações geram sensação de transparência, alerta e vigilância sobre o bem público, cria-se a impressão de que a impunidade campeia solta e de que suspeitas são apenas suspeitas, que ações são mera efeméride no calendário da corrupção.
Nenhuma ação dessa natureza deveria deixar dúvidas sobre sua eficiência. Mas falta um trecho a partir da segunda parte: a resposta da Justiça. Que ela nos dê a certeza de que a vigilância é eficiente o suficiente para gerar confiança e oferecer o conforto que um país que combate a corrupção deseja alcançar.













