ELEFANTE NA SALA, CAVALO NO FUTEBOL.
Texto de Willi Backes
Não é usual os animais serem denominados com nomes de humanos. Tipo um touro reprodutor ser chamado de “ricardão”, uma galinha de “mariazinha”, um cabrito de “randolfe”, uma abelha de “florinda”, um suíno de “inácio”, uma capivara de “osmarzinho”, ou outro qualquer. O que é certo é que os primatas símios e os cervídeos estão proibidos politicamente corretos de terem denominações humanizadas.
Entretanto, é habitual adjetivar ou criar simbologia para atitudes e figuras humanas relacionadas com espécimes animais. O descuidado é um “elefante numa sala com cristais”, o tagarela é um “grilo falante”, o sujismundo é um “porco”, a desprendida faceira é uma “vaca”, o sujeito bruto é um “boi”, o robusto é um “touro”, o chute forte no futebol é dado pelo “cavalo”, o esperto é a “raposa”, o larápio é um “gato”, o goleiro é um “frangueiro”, o sujeito alto é a “girafa”, o falso dá o abraço de “urso”, o mentiroso coloca o “bode na sala” ou tem a “boca de jacaré”, o desinformado é um “burro”, o desafiador é um “galo”, o bom nadador é um “peixe”, quem escamoteia é um “avestruz”, o habilidoso é um “cobra”, o inteligente é uma “águia”, enfim, é a fauna completa.
DESPERTAR PARA A REALIDADE POSSÍVEL.
A Câmara dos Deputados no dia 15 último, aprovou Projeto de Lei que autoriza temporariamente que laboratórios de vacinas de uso veterinário possam começar a produzir imunizantes contra a COVID 19, para imunização da população humana. Os laboratórios poderão produzir ainda o insumo farmacêutico ativo (IFA) e terão que cumprir exigências de biossegurança e normas sanitárias.
Por ora, os laboratórios Merck Sharp & Dohme, Ceva Brasil e Ouro Fino, empresas farmacêuticas, química e ciências biológicas, que possuem centros regionais e internacionais de produção e exportação, somados, presentes em mais de uma centena de países, tem essa disposição e autorização.
PREVENIR ANTES DE REMEDIAR.
No mundo animal a medicina investe e age preferencialmente de forma preventiva. Cuidados sanitários, entre eles a vacinação, é costumeiramente aplicada como antevisão a possíveis moléstias individuais e coletivas. Quando acorrem as vacinações preventivas rotineiras, do primeiro ao último indivíduo é imunizado, no muque, no laço ou no brete.
Quando ocorrem epidemias nas espécies animais, tipo gripe aviária, vaca louca, peste suína e outros mais, elas ocorrem de forma localizada e logo são contidas, por vezes com tomada de ações radicais.
A medicina que trata dos humanas é notadamente aplicada de forma corretiva. A ciência corre atrás para “descobrir” uma vacina – no caso das epidemias e pandemias – com inúmeros experimentos que por vezes se confirmam quanto à eficácia, em outros nem tanto. Os remédios, como a própria denominação afirma, surgem na sequência próxima ou média distância. Tudo balizado pela tal “comprovação científica”. Já por muitos anos é ofertada aos humanos a tal da “vacina da gripe”, comprovadamente eficiente na prevenção das gripes quando das baixas temperaturas do inverno. Mesmo que abundantes, gratuitas e propagadas, parte significativa dos humanos não se habituam a recepcionar as vacinas da gripe. É um disparate, flagrante ignorância.
Segundo também da Ciência, Ciência, Ciência, o que vem da cultura e aplicação popular, sistematicamente é menosprezada, já que não rende aos produtores.
PROTOCOLOS SIMILARES, NEM TANTO.
Esclarecedor é quando numa feira e exposição, sob o mesmo teto e período, convivem os humanos e as espécies animais. Costumeiramente e mais, obrigatoriamente, a participação dos animais em eventos impõem apresentação de comprovação da aplicação de inúmeras vacinas – bovinos, equinos, bubalinos, aves, caprinos e ovinos – mais, registros genealógicos, e, nenhuma infecção, lesão ou parasita aparente.
Em tempos de pandemia, o protocolo sanitário para frequência dos expositores e público visitante, determina e orienta por ora, prática da higiene pessoal preventiva, recomendação para a vacinação imunizante, respeito a ocupação e fluxo nas áreas comuns.
É perceptível que a medicina veterinária aplicada pelos humanos nos animais é preventiva, e a razão maior é o cuidado com a saúde do “bolso”, a parte mais sensível do corpo humano.
No caso da medicina dos humanos para os humanos, aplicada majoritariamente de forma curativa para remediar, é também, mesmo que em etapa posterior, atitude para a saúde do “bolso” econômico setorial. As centenas de especializações médicas existentes e em crescimento, objetivam majoritariamente a cura das doenças, o tratamento, aplicação medicinal curativa. E a prevenção? Depois a gente vê isso!!!
Reportagem: Redação Eldorado
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