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"Deus me ajudou e eu ganhei dinheiro"

Há 25 anos, então deputado federal João Alves (PPR-BA), cunhava a frase célebre na CPI do Orçamento

comment Jornalismo access_time22/10/2018 - 00:40

Reportagem: Antonio Colossi / Rádio Eldorado - Foto: Divulgação

Em um depoimento na comissão parlamentar de inquérito que começou às 10h15min e durou mais de oito horas, o então deputado federal João Alves, do PPR-BA, principal envolvido no escândalo do Orçamento, negou todas as denúncias, atribuindo-as a uma “trama monstruosa”, caiu em várias contradições, deixou perguntas sem resposta e atribuiu sua fortuna a auxilio divino.

Alves disse na oportunidade que depois de ter deixado o tal do orçamento, Deus lhe ajudou e ele começou a ganhar dinheiro.

O deputado respondia com evasivas sempre que os parlamentares lhe faziam perguntas sobre o tamanho do seu patrimônio. Vale frisar, que Alves esteve a frente da comissão do orçamento até o ano de 1992, ora como presidente, ora como relator.

A CPI do Orçamento representou um marco político para o país por ter sido a primeira vez que os parlamentares investigaram seus próprios colegas.

O esquema de corrupção desviava recursos do Orçamento da União destinados a obras de assistência social para entidades fantasmas controladas por parlamentares. Os Anões do Orçamento, como ficaram conhecidos os sete deputados da Comissão (coincidentemente, todos tinham baixa estatura física), também faziam acordos com empreiteiras para a inclusão de emendas para obras de infraestrutura. O líder do esquema, o deputado João Alves, para fazer a "lavagem" do dinheiro obtido ilegalmente, jogava na loteria. Apostando milhares de dólares em cada sorteio, ganhava vários prêmios. Perdia mais do que ganhava, mas conseguia assim legalizar parte do dinheiro das propinas.

De acordo com a CPI do Orçamento, o deputado baiano havia ganhado 24 mil vezes nas três modalidades de loteria (Sena, Loto e Loteca) desde o ano de 1988.

micÁudio da notícia

Ouça um resumo do escândalo de corrupção que envolvia o deputado João Alves e os "Anões do Orçamento"



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