A TRILOGIA, COM FRANCISCANOS
Texto Willi Backes
O município de Forquilhinha, no sul catarinense, foi fundado por imigrantes alemães em 26 de abril de 1912. Similar às comunidades iniciadas pelas colonizações oriundas do continente europeu, Forquilhinha adotou desde o princípio a trilogia Família, Trabalho e Educação para alcançar e realizar sonhos dos pioneiros.
Os colonos alemães vindos das colônias do Capivari, São Martinho e São João, do vale do Rio Tubarão, adquiriram áreas de terras ao longo do Rio Mãe Luzia, próximas a terras já ocupadas e trabalhadas na agricultura de subsistência por famílias de origem Russas, Polonesas, Lituanas e da Prússia Oriental.
Em 13 de Fevereiro de 1914, nasceu a primeira criança dentre as famílias colonizadoras alemãs da vila de Forquilhinha, filho de José Back e Isabela Westrup Back, batizado Apolinário Back, mais tarde, Frei Jerônimo, Padre da Ordem dos Franciscanos.
O primeiro ato após a instalação das Famílias nas áreas que hoje formam o município de Forquilhinha foi o de derrubada das matas, limpeza das áreas, plantio na agricultura e criação de animais domésticos para o próprio sustento e comercialização com os circunvizinhos.
A terceira base da Trilogia - a Educação – teve em 1917 a inauguração de uma escola particular mantida pela comunidade e administrada pela União Escolar de Forquilhinha.
Faço esse pequeno preâmbulo histórico para ressaltar que as três bases da Trilogia – Família, Trabalho e Educação – são até os tempos atuais, foco, tema e meta dos que em Forquilhinha labutam.
Especificamente na Educação talvez possa ser considerada agora, fato que pulsa a memória das Famílias, quando da repentina mudança da orientação religiosa católica na Diocese de Forquilhinha. Saem os Padres Franciscanos e assumem os Padres Diocesanos de Criciúma.
O italiano Francisco de Assis iniciou a Ordem dos Religiosos Franciscanos em 1209. Dentre todos os religiosos e Santos da Igreja Católica, talvez seja São Francisco aquele que melhor se identifica através de seus ensinamentos e exemplos, com as Famílias que trabalham com a terra, com os animais e com o meio ambiente. Não sem razão, a cor dos trajes Franciscanos é o marrom, a cor da terra.
Ao longo de sua história, Forquilhinha recepcionou, alojou e recebeu ensinamentos de dezenas de Frades com seus trajes característicos, cordão com três nós e tendo sandálias como calçados, e mais, incentivou a educação de dezenas de seus filhos em educandários seminários Franciscanos. Muitos foram os Franciscanos que fizeram acontecer na comunidade.
O Padre Paulo Linnartz, em 1935, intermediou a vinda da Alemanha Oriental (hoje Polônia), a primeira das muitas missões religiosas das Irmãs da “Congregação das Pobres Irmãs Escolares de Nossa Senhora”, fundamentais na educação em Forquilhinha até hoje e na gestão do Hospital São José, de Criciúma, desde 1936. E mais, Padre Paulo Linnartz participou efetivamente na constituição de associações cooperadas para a produção e comercialização de produtos da comunidade, trazendo novas tecnologias e orientações técnicas adquiridas na Alemanha.
O Padre Linnartz é apenas um dos muitos e relevantes Educadores Franciscanos que Forquilhinha teve na sua empreendedora e edificada história, no passado e contemporâneo.
Por que a mudança?
As lamentações, ainda que sussurradas, merecem justificativas convincentes. Afinal, não se mexe em time que está vencendo e convencendo.
Reportagem: Willi Backes
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