DESENVOLVIMENTO, TEMA DE TEMPOS EM TEMPOS
Texto: Willi Backes
O tema “desenvolvimento econômico”, de tempos em tempos é trazido à baila. É assim em Criciúma, no sul catarinense e mesmo no Estado de Santa Catarina. Percebe-se que não há sintonia, continuidade e praticidade resultante das tais preocupações coletivas. As palavras não coadunam com a prática. A principal das muitas razões é a descontinuidade. Foi muito comum nos anos 80 e 90, textos elaborados pós mesas-redondas, com o título: “A Cidade Rumo ao Século XXI”. Com título tão auspicioso, tudo cabia abaixo. Na realidade e prática, pouco ficou resultado.
A VISÃO ALÉM DO PRÓPRIO UMBIGO.
O racional é que o Estado, macrorregiões e as microrregiões de Santa Catarina estivessem permanentemente em sintonia para pensar, planejar e executar planejamento para promoção econômica e social da coletividade, independentemente de quem estivessem ocupando o trono delegado. Evidentemente as lideranças e seus sucedâneos nas organizações privadas, não poderiam se abster de tais estudos, tendo por meta e compromisso realiza-las.
De nada adiante pensar a cidade, propor algo, pensar o que será da comunidade no ano de 2050, se não houver uma lógica, ações e acionistas para executá-las.
NO RETROVISOR, OS EXEMPLOS.
Naqueles tempos, o Prefeito Altair Guidi, através da Lei 1414, de 27 de Julho de 1978, criou a CODEPLA – Companhia de Desenvolvimento Econômico e Planejamento Urbano, em Criciúma. A CODEPLA foi sucedânea da COUDECRI criada pelo Prefeito Algemiro Manique Barreto em 1974, através da Lei Municipal 1059.
Durante décadas, a CODEPLA e COUDECRI foram fundamentais no pensar e planejar a cidade de Criciúma, estendendo benefícios para as cidades e comunidades circunvizinhas. As obras implantadas são testemunhas: Avenida Centenário, FUCRI, Rodoviária, Paço Municipal, Batalhão da Polícia Militar, Rodovia de Contorno, Ginásio e Teatro Municipal, Museu, Sistema Integrado de Transportes, mais e mais.
Muitas das iniciativas empresariais e comerciais por aqui e na vizinhança se instalaram devido a excelente infraestrutura oferecida pelo município, polo referência regional.
A CODEPLA foi extinta em junho de 2009. Havia perdido sentido para existência. Transformada em armário, transbordou com excesso de cabides funcionais.
O FUTURO A TODOS PERTENCE.
São flagrantes as inúmeras oportunidades para empreender em Criciúma, no sul e igualmente do Estado Catarinense. É notória também a percepção de que as ideias e projetos sucumbem após período do mandato do servidor público e do privado, nos postos de representação delegada. Os sucedâneos assumem com novas ideias, novos projetos, novas promessas.
E mais, o governo e prefeitos que assumem a cada quatro anos, administram engessados por compromissos e carimbos regulamentadores excessivos, e por vezes, abusivos. São as nefastas e conhecidas judicializações da política e do empreendedorismo.
PROSPECTAR E PLANEJAR DO JEITO POSSÍVEL.
A nova forma de gestão do Governo do Estado empossada em janeiro do corrente ano, dentre as inúmeras adequações, reduziu o seu tamanho, notadamente com a extinção, parcial, das secretarias regionais. As associações de municípios absorveram funções antes das ADR’s. Na associação da região carbonífera, a AMREC constituída por 12 municípios, percebe-se o quanto as novas atribuições elevaram a importância de sua existência, e quanto a Entidade poderá oferecer e responder às necessidades prementes das comunidades que a compõem.
Se os ditos problemas são comuns, é logico pensar que as soluções podem ser comuns também. Temas como energia elétrica, água potável, segurança pública, educação e educandários, transporte e logística, meio ambiente, turismo, vias e rodovias, comunicação, cultura e desporto, nada está desassociado de um para outro município.
Tendo a AMREC como “guarda-chuva”, adicionando entidades privadas e profissionais liberais, e colocando sobre a mesa mapa com “briefing” revelador, será possível sim pensar, rascunhar, debater, elaborar “layout” com visão desenvolvimentista para as próximas décadas.
Ninguém é tão autossuficiente para resolver sozinho seus problemas e encontrar soluções mirabolantes. O que é boa solução pra um, reflete em benefício para o conjunto.
Reportagem: Jornalismo Eldorado
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