Coluna de Fim de Semana
A volta dos que não foram
O PSDB deve desembarcar do Governo Raimundo Colombo, no qual nunca embarcou. Pelo menos é a interpretação do presidente estadual da sigla, o deputado Marcos Vieira. Ao mesmo tempo em que admite que os tucanos Leonel Pavan (Turismo) e Vicente Caropreso (Saúde) devem sair logo, revela que não é o PSDB que está no governo e que os dois foram convidados individualmente pelo governador. Logo, o partido desembarca de onde nunca embarcou. Por isso a referencia do título: “a volta dos que não foram”. O desembarque de Pavan e Caropreso pode ser anunciado já na semana que vem. O assunto deve entrar na pauta da convenção estadual que ocorre neste sábado. O item primeiro da pauta desta convenção é decidir por candidatura própria em 2018.
Bom motivo
Vicente Caropreso e Leonel Pavan estariam particularmente, senão arrependidos, incomodados por terem aceito o convite para entrar no governo. O resultado esperado em suas pastas ficou longe do que os próprios imaginavam. E não foi por falta de vontade própria. A verdade é que o governo está o que se costuma dizer no linguajar popular “quebrado”.
Tucanato
Apesar do que aparenta “aqui fora” dentro do PSDB estadual aparenta tranquilidade. Na convenção deste sábado será confirmada à reeleição do deputado Marcos Vieira como presidente, enquanto Paulo Baur ganha a condição de presidente de honta. Os vice-presidentes serão os prefeitos Clésio Salvaro (Criciúma) e Napoleão Bernardes (Blumenau) e o deputado federal Marco Tebaldi.
Convites
O prefeito de Criciúma, Clésio Salvaro, viaja para São Paulo na próxima segunda-feira para se encontrar com o governador paulista Geraldo Alckmin. Como prefeito vai convidá-lo para que esteja na reinauguração da prefeitura. Como tucano fará um apelo para que o líder nacional se apresente como candidato à presidência nacional do PSDB.
Redes sociais
Nesta semana o deputado federal João Rodrigues (PSD) foi destaque nas redes sociais em dois momentos. Num deles porque reeditaram um vídeo de 2012 em que ele aparece sugerindo um tipo de falcatrua com verbas sociais. Este caso ele explicou na época. Aliás, provou que o vídeo foi editado distorcendo a reunião. O PT usou o vídeo na campanha municipal daquele ano e o então candidato petista José Fritsch foi condenado a pagar indenização pela má fé.
Cara a cara
Diferente do primeiro vídeo usado para atacar o deputado João Rodrigues, no outro é o momento em que ele fica diante de Wesley Batista em sessão da Câmara dos Deputados. Nele o parlamentar diz oque se costuma dizer “qualquer brasileiro gostaria dizer” ao dono da JBS. Fosse Wesley do bem não resistira tanto “desaforo”. O desabafo do deputado, cara a cara com o empresário, viralizou.
Saúde e Matemática
Deve-se prestar atenção aos cálculos feitos pelos gestores de saúde dos municípios para justificar algumas medidas como a redução de horário de atendimento de unidades 24 horas. Na “ponta do lápis” é fácil explicar e convencer porque devem ser reduzidos horários de atendimento e até fechamento de algumas unidades concentrando atendimento em outras. O que o gestor político não tem coragem de fazer é assumir o prejuízo político destas medidas.
Lições das eleições acadêmicas
A Chapa Dois (oposição) venceu a eleição no Diretório Central de Estudantes (DCE) da Unesc com “ligeira” vantagem. A expressão “ligeira vantagem” porque havia um cenário que sugeria diferença maior. O atual presidente Marcos Machado enfrentou uma oposição silenciosa dentro e fora do DCE, dentro e fora da Unesc e dentro e fora de grupos de apoio construído com sua eleição em 2016. Emergiu, e corre o risco de submergir, com a mesma rapidez. Sua aparição foi tão intensa na comunidade acadêmica como fora dela. Sem que percebesse incomodou setores que gostariam de tê-lo como aliado, mas viram-no como ameaça no ambiente político. Marcos é um talento que precisa andar antes de voar. Alexandre Pato Bristot aprendeu com a derrota do ano passado, quando foi legalmente barrado da eleição. Mostrou que aprendeu com a derrota, pois soube administrar a situação. Agora terá que mostrar que sabe conviver com o poder.
LIÇÃO A eleição do Diretório Central de Estudantes da Unesc foi uma grande lição de como se comporta o processo democrático e onde estão as “pegadinhas” do poder.
PECOU O primeiro pecado de Marcos Machado pode ter sido cometido no dia seguinte à sua eleição em 2016, quando deu entrevista e deixou evidente que estava começando uma carreira política. Foi taxativo ao responder sobre suas pretensões futuras: “quero ser prefeito desta cidade”. O problema é que na fila há muitos outros com o mesmo desejo.
VACINADO O equivoco de Marcos Machado à vida pública foi tão percebido que o novo presidente, Alexandre Pato Bristot, estreou nas entrevistas ironizando ao responder a mesma pergunta: “eu gostaria de ser governador, já que a eleição que está próxima, mas preciso ser o que sou, presidente do DCE.”
APRENDIZADO Traduzindo o processo eleitoral do DCE da Unesc ao cotidiano de observador do cenário política, em suas várias vertentes, sem desconsiderar as observações de quem é pai e convive com adolescentes, eu diria com o mesmo carinho aos dois candidatos da eleição do DCE que: “Marcos foi aquele jovem apressado, que como é do seu tempo de adolescente pensou que sabia tudo, enquanto Alexandre pôs em prática o aprendeu com a derrota de 2016”.
NÚMEROS Dos quase 10 mil alunos cerca de 30 por cento – apenas – participou da eleição do DCE da Unesc. Foram 2.914 votantes. A Chapa Um somou 1.392 (48 por cento) contra 859 (30 por cento) votos da Chapa Um. Houve 22 por cento (640) votos nulos.
RECUPERAÇÃO Nesta semana a Justiça deferiu a recuperação judicial da Canguru Embalagens, mas segue sob imbróglios jurídicos em segunda instância o processo da Carbonífera Criciúma.
FRASE DO DIA
“Pensei responder esta pergunta dizendo que eu gostaria de ser governador, já que a eleição é no ano que vem, mas agora quero ser presidente do DCE. Costuma dizer que a política é um estado de ser, não uma necessidade. Este é o problema da política, pois os políticos querem ser, quando eles devem ter a consciência de que estão. Não é uma questão de ser, mas uma questão de estar.”
Alexandro Pato Bristot, presidente eleito do Diretório Central de Estudantes da Unesc, ao falar de possível pretensão futura na política.














